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sign

um beijo
é ação física
que estremece o corpo
como abalos sísmicos
é reação química
que mistura almas
num fenômeno
de cores explosivas
ativando a vida
a sonhar eternidades.

fagulha

Um chorinho
brotou no chão
e matei a sede,
das águas mornas
que me secaram os olhos
da alma sonolenta
despertando meu coração
sonoramente.

Volúvel

Não sei se dou uma festa
ou se morro
comemoro com certeza
a vida que segue
não sei pra onde vai
pra onde vou
mas adoro uma surpresa.

seiva

Deixei em aberto
meu coração
preso a uma redundância
Lá entre as folhas
onde voam borboletas.
ele mantra meu nome
nas manhãs cor de prata,
em soluços de sol.

Retroativo

As nuvens choram
e as folhas gotejam
pequenas lágrimas
das árvores.
De cima
o vento sopra
as feridas
na casca dura
e suas raízes ocultas.

Andarilho

Meu rastro não marca
compassos
não tem efeitos
sobre as massas
de Terra firme
Não pretendo mostrar
os caminhos que segui
nem o que aprendi
não semearei
meus próprios erros
aos ventos que empurram
meus rastros
serão sempre só
passos que passei.

memorando

Faz tempo que não olho pela janela,
que não cato conchas na praia,
que não brinco com estrelas cadentes.
Faz tempo que não observo o tempo,
que não bebo água de filtro de barro,
e não abraço aqueles do meu convívio.
Faz tempo que o Tempo se vai
se volta pra mim e não me fala nada.

hidrante

É turva a água que me afoga

em mágoas que já secaram na fonte

teimam em brotar aos litros

nos gargalos de um poço fundo.

Não bebo mais esta sede

de ajustar o que não tem forma de ser.

o que é intragável está rarefeito,

expelido para nunca mais voltar.

Mas esta água jogada em meu copo,

eu cuspo fora de mim meu corpo,

livre desse carma não sei de que.

Na fonte só a luz

dos cristais e gotas serenas.

nirvana

Foi em contas coloridas
que enfeitei as idéias,
fiz um colar de coisas pensadas,
mas que nunca usei.
guardei a sete chaves
abertas aos olhos de qualquer um
um vasto tesouro sem valor,
mas é tudo que tenho amado
no fundo de uma caixa preta
feita do manto da noite.

retroação

Pensar é uma dádiva
que nos presenteia os deuses.
quando eles querem nos punir
roubam qualquer fagulha,
apagam as lâmpadas e nos deixam.
Aluz de velas nos queimam o silêncio.
Porque quando os deuses querem,
eles fecham as portas sem aviso
e nos deixam entregues a uma espera
que desespera qualquer poesia
a sofrer calada seus pobres suspiros.

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